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Em cinco anos, abertura de pequenos negócios de serviço de cuidadores cresceu 74% no Brasil
O envelhecimento da população brasileira já começa a mudar o perfil dos negócios no país. Entre 2020 e 2025, o número de micro e pequenas empresas voltadas ao apoio e assistência a idosos e pacientes em domicílio cresceu 74%, segundo levantamento do Sebrae feito com base em dados da Receita Federal do Brasil. Somente em 2025, foram abertos 57,2 mil novos CNPJs nessa atividade.
O movimento acompanha a mudança demográfica. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com mais de 65 anos cresceu 57% em 12 anos. Hoje, o país tem mais de 33 milhões de idosos. Na prática, o cuidado, que antes ficava quase exclusivamente sob responsabilidade das famílias, se transformou em mercado estruturado, com geração de renda e profissionalização do serviço.
Filhos de cuidadoras, Edmilson Santos e Kelvin Carvalho decidiram transformar a experiência familiar em negócio. Eles criaram a Cuid, startup que conecta profissionais a famílias que precisam de atendimento domiciliar. A plataforma usa geolocalização para indicar cuidadores próximos e permite que os clientes consultem perfil, experiência e avaliações. A empresa também faz a intermediação da contratação.
Segundo Edmilson, cofundador da startup, 2025 foi o ano de maior crescimento da empresa. “Triplicamos o faturamento em relação a 2024. Também evoluímos nosso modelo de negócio e investimos em tecnologia e qualidade.” Hoje, a empresa atua em 24 estados e planeja expansão. Ele afirma que o apoio do Sebrae ajudou a estruturar o negócio: “Saímos de uma operação intuitiva para um modelo mais organizado, com metas claras e preparação para crescimento acelerado.”
Mercado deve crescer por décadas
A tendência é de continuidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de idosos no mundo deve dobrar até 2050. Na visão da gestora nacional do Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, Gilvany Isaac, o setor ainda tem espaço para crescer. “O envelhecimento acelerado cria um cenário favorável para quem quer empreender com profissionalismo. É um mercado que deve se expandir por décadas, mas exige preparo.”
O que é preciso para atuar na área
A especialista do Sebrae cita quatro pontos considerados essenciais para quem quer abrir ou consolidar um negócio de cuidadores:
Qualificação contínua: as famílias buscam segurança e profissionalismo. Investir em cursos de cuidador, primeiros socorros, doenças crônicas e noções de gerontologia faz toda a diferença.
Personalização e humanização: cuidar de idosos envolve vínculo, empatia e adaptação às necessidades físicas, emocionais e cognitivas. A personalização do atendimento é decisiva.
Regularização e atenção às normas: cumprir exigências legais, licenças, alvarás, normas sanitárias e responsabilidades trabalhistas fortalece a credibilidade e protege o negócio. Atuando de forma correta desde o início, o empreendedor ganha estabilidade no mercado.
Uso de tecnologia: ferramentas digitais aumentam a transparência e o valor percebido pelos contratantes. Apps para relatórios e monitoramento remoto são algumas opções.
Fonte: Agência Sebrae

